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title: Ping-Pong com Carolina Ferro, da Growly
description: "Carolina Ferro, dona da Growly, conta o que separa as marcas que crescem no digital: números claros, experimentação e uma base de clientes própria"
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 outubro 2026

# Ping-Pong com Carolina Ferro, da Growly

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No digital, a diferença entre crescer e crescer com rentabilidade quase nunca está em ter mais tráfego, e sim em ter a estratégia e os dados certos por trás.

Carolina Ferro entende bem disso. Ela é dona da Growly, uma consultoria que diagnostica, desenha e executa estratégias de marketing, analytics e tecnologia para marcas de e-commerce e negócios digitais.

Carolina vê de perto o que separa as marcas que decolam das que ficam paradas. Convidamos ela para compartilhar esses aprendizados com a comunidade da TITANPush.

![1790789514938](https://blog.titanpush.com/hs-fs/hubfs/1790789514938.png?width=133&height=133&name=1790789514938.png)

Carolina Ferro

Dona da Growly

A Growly é uma consultoria de marketing, analytics e tecnologia para marcas de e-commerce e negócios digitais. Antes, Carolina passou pela McKinsey, onde trabalhou muito com grandes empresas, como bancos.

[bygrowly.com](https://www.bygrowly.com/) · [LinkedIn](https://www.linkedin.com/in/carolinaferro0/)

5 ideias-chave da entrevista

1. Antes de investir, defina qual problema você quer resolver: as pessoas não chegam ou chegam e não compram?
2. As marcas que crescem conhecem seus números: quanto podem pagar por um cliente, a margem real e com que frequência alguém volta a comprar.
3. Se tem tráfego e não converte, revise primeiro a mensuração, depois cada fonte de tráfego e só então a jornada de compra no celular.
4. Nos próximos anos, ganha a marca que for dona da relação com o cliente: sua própria base com e-mail, WhatsApp e dados de compra.
5. Experimentar é inegociável, mas com ordem: um teste por vez, com uma hipótese clara e registrando os resultados.

## 1. Você vem de uma empresa como a McKinsey: o que dessa experiência em grandes empresas você levou para a Growly?

Muita coisa. Acho que fiquei com o mais útil.

A ferramenta mais valiosa que esse tipo de consultoria te dá é a forma de encarar um problema: como você entende e organiza uma empresa, um produto ou uma estratégia sem deixar nada de fora (MECE). Antes de partir para ações táticas, é preciso ter claro o que queremos resolver. As pessoas não chegam? Chegam e não compram? Parece óbvio, mas muitas vezes se começa com "temos que investir mais" ou "temos que testar o TikTok".

Também trouxe o hábito de falar a língua do negócio, e não a de performance. O dono de uma marca não se importa com o CTR. Ele quer saber se vende mais, com qual margem e se consegue sustentar isso.

E é fundamental entender com quem você está falando quando negocia ou questiona um resultado. Na McKinsey trabalhei muito com grandes empresas, como bancos, onde os líderes têm incentivos muito diferentes dos das empresas com as quais trabalhamos hoje (que não são grandes corporações com milhares de funcionários). Não é a mesma coisa um funcionário que precisa bater metas e um dono de empresa, que está arriscando o próprio dinheiro.

Também teve coisas que precisei desaprender. Numa empresa grande, você tem meses para fazer um diagnóstico. As empresas com as quais trabalhamos, que estão crescendo, precisam agir e testar rápido, são mais dinâmicas. Identificar os riscos continua sendo fundamental, mas sem que eles te paralisem.

## 2. O que as marcas que conseguem crescer no digital têm em comum, e as que ficam paradas?

As que crescem conhecem seus números. Sabem quanto podem pagar para conquistar um cliente sem perder dinheiro, qual é a margem real e com que frequência alguém volta a comprar. Com isso, cada decisão de investimento tem uma base.

Também crescem as que se arriscam a testar. Sempre com uma lógica por trás, mas experimentando o tempo todo para encontrar novas oportunidades: comunicações diferentes, variações do produto, mudanças na experiência de compra.

As que ficam paradas costumam ter algo em comum: dependem de um único canal de venda, mudam toda a estratégia se não veem resultado nos primeiros dias, medem o sucesso por métricas que não têm valor em termos de venda, não se arriscam a fazer algo diferente...

E, acima de tudo, não pensam a estratégia comercial completa. A mídia paga é só uma parte, e nem sempre a mais importante. Para um negócio funcionar, é preciso se perguntar se existe mercado para o produto, como chegar a esse segmento, quais atritos existem na compra e se dá para resolvê-los online, o que a concorrência oferece e até se vale mais a pena vender para empresas ou para o consumidor final.

## 3. Você diz que vocês diagnosticam com dados antes de executar. Quais métricas uma marca que está começando a se profissionalizar deve olhar, e quais deveria parar de olhar?

É difícil resumir numa resposta curta, porque depende muito do tipo de negócio. Não é a mesma coisa uma empresa B2B e uma B2C, uma que vende online e uma que vende em loja física ou nos dois, nem um produto de nicho e um de massa.

O primeiro passo é garantir que você está medindo bem e que seus dados refletem o que realmente acontece no negócio.

Se você está começando a se profissionalizar, o importante é construir a base: rentabilidade, custos e margens (mesmo que no começo não sejam ideais, saber qual é o seu contexto real). Em segundo lugar, quanto realmente custa conquistar um cliente novo e quanto ele deixa ao longo do tempo (o famoso lifetime value).

O que eu pararia de olhar são os seguidores, as curtidas e os comentários, já que nem sempre se traduzem em vendas. E também parar de tomar como verdade os números que as plataformas reportam, como a Meta Ads, sem compará-los com as suas vendas reais.

> O dono de uma marca não se importa com o CTR. Ele quer saber se vende mais, com qual margem e se consegue sustentar isso.Carolina Ferro, Growly

## 4. Quando uma marca já tem tráfego mas não converte, por onde você começa a procurar o problema?

Primeiro, confirmar que realmente não converte. Às vezes o problema está na mensuração e não na loja.

Depois, separo o tráfego por fonte. "Não converte" quase nunca é igual em todos os canais de aquisição. Em geral, tem uma fonte que traz visitas que não têm nada a ver com o que você vende, ou um anúncio que promete algo que a página não mostra.

Só então percorro o caminho como se fosse um cliente (é fundamental fazer isso pelo celular, muita gente analisa o site pelo computador). Os problemas mais comuns que encontro:

- O valor do frete só aparece no final.
- O parcelamento ou as formas de pagamento não estão claros.
- A página do produto não responde às dúvidas básicas: tamanhos, medidas, materiais, prazos de entrega.
- Faltam sinais de confiança, como avaliações, políticas de troca visíveis ou um canal de contato à mão.

E tem algo muito subestimado: nem todo mundo que entra está pronto para comprar hoje. Se você não dá uma forma de ele ficar, com um e-mail, um WhatsApp ou um benefício na primeira compra, esse tráfego que você pagou vai embora e não volta.

## 5. Qual tendência você acha que vai separar as marcas vencedoras das perdedoras nos próximos 2 ou 3 anos?

Ser realmente donas da relação com o cliente.

As plataformas de mídia estão cada vez mais automatizadas, e a segmentação que antes era uma vantagem hoje é feita pelo algoritmo, igual para todos. Isso faz com que conquistar clientes novos seja cada vez mais caro e mais parecido entre concorrentes. O que te diferencia passa a ser o que o algoritmo não consegue copiar: sua proposta, seu conteúdo e sua base de clientes.

As marcas que vão ganhar são as que construírem sua própria base, com e-mail, WhatsApp e dados de compra, e souberem usá-la: comunicações que respondam ao que cada um comprou ou viu, e não a mesma newsletter para todo mundo. Some a isso que a inteligência artificial está reduzindo muito o custo de fazer isso de forma personalizada. Há alguns anos era coisa de empresa grande. Hoje uma marca pequena consegue fazer.

## 6. Um recurso, hábito ou princípio que você considera inegociável para quem quer crescer no digital.

Experimentar. Testar um título diferente num anúncio, outra oferta de frete, trocar as fotos de um produto, somar um canal. Muitas vezes o que mexe nos números é um detalhe que ninguém da equipe esperava.

A condição é fazer com ordem: um teste por vez, com uma ideia clara do que você espera que aconteça, e dando tempo antes de tirar conclusões. E anotar os resultados, inclusive os que não funcionaram, que costumam ser os que mais ensinam.

*Entrevista realizada originalmente em espanhol e traduzida pela equipe TITANPush.*

Continue lendo

- [Os 12 números que separam crescer de crescer com rentabilidade](https://blog.titanpush.com/pt/titanpush-blog/os-12-n%C3%BAmeros-que-separam-crescer-de-crescer-com-rentabilidade?hsLang=pt)
- [O que os e-commerces que melhor convertem têm em comum](https://blog.titanpush.com/pt/titanpush-blog/o-que-os-e-commerces-que-melhor-convertem-t%C3%AAm-em-comum?hsLang=pt)
- [“O jogo só começa aí”: Daniel Ferro, ex-Mercado Livre](https://blog.titanpush.com/pt/titanpush-blog/o-jogo-s%C3%B3-come%C3%A7a-a%C3%AD-daniel-ferro-ex-mercado-livre?hsLang=pt)

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Entrevista realizada pela equipe TITANPush · Outubro de 2026

[Ir para TITANPush](https://www.titanpush.com.br/pt)

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